Reflexões sobre projeto versus engenharia

Você já comprou um produto simplesmente porque achou que era “legal” e não porque funcionava bem? Tudo bem, admita, talvez apenas uma vez. Se você é um engenheiro atuante, estudante, gerente ou profissional de compras, provavelmente já ouviu uma pergunta frequente: “O que é mais importante em um produto, o design ou a engenharia?” Isso não é algo insignificante a se considerar quando você está lançando um novo dispositivo ou está no meio de um redesenho. E, quer você trabalhe sozinho ou faça parte de uma equipe de desenvolvimento de produtos, a pergunta parece sempre estar presente no fundo.  

Vamos discutir começando com o básico. De uma perspectiva bem ampla, podemos concordar que a engenharia normalmente se concentra na viabilidade técnica para garantir os resultados desejados em termos de desempenho do produto. O design, por outro lado, geralmente se concentra na desejabilidade do usuário final para garantir a aceitação por meio da facilidade de uso, forma atraente ou outros fatores.

Para colocar em palavras que um professor de marketing usaria, um bom design implica aceitação por parte do usuário. Uma boa engenharia implica utilidade para o usuário. Parece simples, mas talvez devêssemos aprofundar um pouco mais o assunto.

A Importância de um Bom Design?

O design do produto não deve ser confundido com o design de engenharia nem separado dele, principalmente em produtos que possuem conteúdo eletrônico e uma interface com o usuário. Determinar a “aparência e sensação” do produto é uma parte significativa do processo de design técnico, e a interface é o elemento-chave da interação. 

Mesmo que o design do seu produto nem sempre dependa da engenharia, ele pode e deve andar de mãos dadas com ela. Na verdade, um bom design geralmente requer engenharia criativa, sendo o smartphone o melhor exemplo. É duvidoso que o celular moderno com tela sensível ao toque, com sua interface elegantemente simples e sensação semelhante a um tijolo, teria chegado a algum lugar sem a tecnologia háptica e a operação intuitiva para aprimorar sua função.

A Importância de uma Boa Engenharia 

Como alguém acostumado a lidar com números, especificações, dados de teste etc., você provavelmente baseia suas decisões de design de engenharia no desempenho e no custo dos componentes. Essa estratégia ajuda a garantir produtos que funcionam, que podem ser fabricados com facilidade e que podem ser enviados no prazo aos clientes.

Produtos bem projetados do ponto de vista da engenharia, no entanto, não devem ser confundidos com produtos superengenheirados. Inserir recursos adicionais desnecessários em um produto, embora pareça uma solução de engenharia elegante para aumentar a competitividade, também pode afastar os clientes. As telas sensíveis ao toque em automóveis mais recentes, que abrigam continuamente funções adicionais de controle do veículo, são apenas um exemplo. Manter os controles físicos ao mínimo, embora possa ser um imperativo de custo, pode reduzir tanto a operabilidade quanto a satisfação do usuário.      

O desafio no processo de engenharia surge quando inserimos o cliente na equação. Os clientes apreciam produtos que funcionam, mas também são atraídos por produtos que vão além da pura engenharia. O produto transmite a sensação certa, soa sólido, oferece feedback tátil, tem boa aparência? Como o ex-presidente da IBM, Tom Watson, certa vez declarou, “o design além da engenharia” é uma habilidade que vale a pena cultivar, e “um bom design é um bom negócio”. Por muitos anos, os usuários de PCs IBM elogiaram o teclado IBM simplesmente porque as teclas associavam o curso do switch a um clique tátil e distinto. 

Essas questões são domínio do designer. Mas a experiência mostra que os componentes individuais que você seleciona ao projetar um produto podem oferecer tanto o desempenho de engenharia que você exige quanto os “sinais de design” que você busca e aos quais seus clientes reagem. 

Não há dúvida de que um controle físico bem projetado do ponto de vista da engenharia, como uma chave de painel, pode funcionar de acordo com as especificações ao longo de milhares de ciclos de liga/desliga. Uma chave bem projetada também pode agregar uma aparência de qualidade, comunicar operação positiva por meio de feedback, evitar erros por meio do engajamento tátil e promover segurança por meio do uso de cores e iluminação. Se você é um técnico controlando o fluxo de lotes em uma planta química, você quer que o painel de controle do seu sistema seja preciso, além de simples de ler e fácil de usar.

Componentes individuais que são bem projetados e discretamente identificados com marca também podem agregar valor à percepção geral do seu produto por parte de um departamento de compras tentando decidir entre duas alternativas. “Valor percebido do produto” não é uma expressão de engenharia, mas certamente pode ser importante para o trabalho de um departamento de engenharia ao buscar a aprovação de compras para componentes que podem ultrapassar o orçamento.     

Produtos que Combinam Design e Engenharia

Existem muitos produtos, tanto de consumo quanto industriais, que integram perfeitamente um ótimo design a uma engenharia sólida. Nossos favoritos são os smartphones já mencionados, as motocicletas Ducati, os multímetros Fluke e as plainas de madeira Lie-Nielsen. 

Embora você possa citar inúmeros exemplos próprios, o ponto é que uma combinação de boa engenharia com bom design de produto pode contribuir muito para melhorar a percepção do produto no mercado, aumentar o valor geral, permitir uma precificação mais agressiva e melhorar o retorno sobre as vendas. Se você conseguir fazer tudo isso, a gerência encontrará maneiras de aprovar suas iniciativas.

As Etapas para uma Melhor Integração entre Engenharia e Design

Como dissemos no início, mesmo que você faça parte de uma grande equipe de design ou seja um engenheiro solitário, entender e implementar uma colaboração entre design e engenharia pode trazer inúmeros benefícios. 

Você inicia o processo entendendo o problema e determinando o que está tentando fazer. Você está projetando um novo produto, reprojetando um mais antigo ou apenas tentando resolver um problema? O segredo é fazer perguntas e depois ouvir, ouvir, ouvir.

Você reservou um tempo para ir além das especificações básicas do seu produto? Será um painel de controle para equipamentos off-highway sujeitos a vibração, ruído e calor? Ou estará em um escritório com temperatura controlada? Será necessário incorporar fácil acesso para reparos visando futuros atendimentos? E o quanto o seu produto estará enraizado na vida diária do usuário? Mesmo que você esteja projetando fontes de alimentação, é sempre bom saber como elas serão usadas.

Resumo

Se você trabalha em uma grande empresa, provavelmente tem acesso a recursos internos que podem orientá-lo em sua busca por aproveitar um bom design. Se você trabalha em uma pequena empresa ou startup, talvez precise lutar por recursos em sua busca. Mas serão seus clientes os juízes finais dos seus esforços.

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